Das páginas em branco Setembro 23, 2007
Posted by carolina oms in Novelos, teias, tecidos e alguns textos.trackback
Sobressalto: etimologicamente falando, indo à raiz da palavra e viajando a la Vandson: é o salto a quadrado
eu tenho medo de páginas em branco, eu tenho medo de páginas e bibliotecas cheias.
Eu gosto de reticências, inevitavelmente, tá cheio de reticências dentro de mim.
Tem um monte de livro na estante, olhando, e tem um monte de letra por aí. As letras ficam por aí pululando, no espaço de uma vértebra e outra.
Às vezes dão dor nas costas, quando acumulam. Dá pra ignorar, sempre dá, só que, no aperto elas podem acabar virando palavra, uma dessas palavras bonitas e doloridas. e vão doer no estômago.
Por motivos que os professores de Literatura não explicam as palavras, as letras e os pontos de interrogação e os pontos de exclamação e os pontos, muitos pontos, talvez as vírgulas. eles todos se ajeitam no corpo com essa coisa causadora de siricuticos que é a arte.
Arte é aquilo é aquilo que lido, visto ou ouvido ou tudo ao mesmo tempo, aumenta e enche os interstícios da alma. Um índio localizado em um ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico e na música de Caetano Veloso me garantiu que nesses buracos da alma que vão parar: a palavra, seu palavrão e suas palavrinhas
Carolina
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