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Amontoado Setembro 27, 2007

Posted by carolina oms in Novelos, teias, tecidos e alguns textos.
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Sobressalto: infinistante entre uma e outra batida do coração num momento de aflição;

era uma vez. no tempo que os amores não eram em vão, uma menina que amava. e amava de um jeito que ela achava que ninguém nunca tinha amado antes e que não dava mais pra esquecer.

Mas de quem ela gostava não gostava dela e quando ela queria estar perto, quando queria tocar, sentir cheirar, ficava só no querer.

Os dias passavam e esse amor só fazia crescer, mas crescia sem ter pra onde ir, ia amontoando no peito dela. bem guardadinho.

Só que amor é sujeito abusado, e saiu ocupando todos os cantos que viu, tomou conta da cabeça, dos pés. a ponta do mindinho. o buraco do umbigo.

Eis que! um dia, não aguentando mais de peito explodindo ela cavou um buraco, fundo fundo e gritou todo o amor lá pra dentro e fechou! Mas ficava sempre um pouquinho da amor sobrando, às vezes uns restinhos de amor se agarravam à ponta do cabelo, ficava uma sujeirinha de amor no umbigo… é que sempre faltava fôlego pra jogar toodo o amor lá dentro.

E sabe como é, amor, se reproduz que nem ratinho de laboratório, o amor teimava, insistia, aumentava… a menina foi crescendo e o amor foi crescendo junto. e mais. Toda vez que o peito dela apertava invadido, ela corria pro buraco!

Mas o amor que estava dentro do buraco foi amontoando também, tão esprimido que já não cabia. Há tanto tempo preso foi virando outra coisa. Então um dia, quando ela se preparava pra jogar mais amor no buraco – bem no momento que ela tomava fôlego- essa outra coisa chispou pra dentro dela e ocupou tanto espaço, mas tanto espaço que a mulher desapareceu, ficou só o sentimento.

Contam que foi aí que nasceu a saudade

Carolina

Comentários»

1. Vandson - Setembro 28, 2007

Ainda que de ombros baixos e sobrancelhas a dançarem chateadas, é quando leio seus escritos, bonitos de doer fininho, que eu fico assim, com um “quentinho” por dentro, como quem segreda pra si mesmo: “Eu ainda acredito”.
Te gosto Caracóis

2. bruna escaleira - Outubro 17, 2007

um amontoado de palavras é legal nem sempre pelas palavras amontoadas, mas pela maneira como amontoaram elas. este aqui ficou genial, carol!