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Das curvas que os balões fazem maio 5, 2008

Posted by carolina oms in Das curvas que as palavras fazem, Novelos, teias, tecidos e alguns textos.
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Sobressalto: ou pow!

sempre desejou o céu. nunca foi criança de soltar o balão colorido que o pai comprou. segurava firme no aguardo, podia acontecer de uma reviravolta do vento, ou do ar lá dentro, subir ele e o balão.
sem viração nem nada contentava em assistir a possibilidade da fuga. os olhos pra cima, desejosos, a mão fazendo festinha na linha, fingindo soltar, escorregando os dedos… feito balão fosse gente. gente não. Criança. sorrindo largo, enquanto dá a mão e faz querer fugir.
quando o balão murchava brincava de fingir que não viu. por dentro um orgulhinho de ser gente se ria invejoso. uma nostalgia de ser tudo se encolhia, entendida do mundo.

Depois, não quis cair de pára-quedas, não quis andar de avião. queria vento forte e brisa leva, sopro de vela, de catavento e de dente-de-leão. descobriu. não havia precisão de soltar o balão: grande era pairar entre o céu e o chão, sentou no balanço, em cheio era o azul do céu misturar nos olhos e nos cabelos com o marrom da terra. Transbordamento era saber que o mundo girava suspenso no nada.

Depois. Desejou o Céu. Encontrou Deus. Tudo assim, com letra maíuscula de grande e de bonito, alta pra encostar no céu da linha. Contou do Reino e contou dos Céus, pra quem andava de roda bem presa numa estrada empoeirada, construiu paróquia na terra e alçou balão no ar. contou pro céu das virações da terra. gritou pros homens que é do céu que a gente sente saudade.

desejou o céu e o chão, encontrou o mar.

Comentários»

1. vandsonlima@gmail.com - maio 17, 2008

Vandson vê!
Sempre.
Não adianta escrever escondido.
Eu fuço sua gaveta. Ou seus olhos.
Pq tem buniteza acontecendo quando você fica pra dentro.
eu sei que tem.

2. Vandson - junho 5, 2008

ahuahauahu, que bonito. Confesso que fiquei com medo quando vc começou a citar céu e Deus e afins…pq é transcendente demais pra mim, vc sabe, não é meu tipo…mas tudo se pôs bonito quando ele encontrou o mar, achei um acaso melancólico, um acidente bonito e débil.
Bem vinda de volta às palavras. Mas use só as bonitas (vc sabe, é mais fácil gostar de gente bonita. Palavra então, é um sobressalto)

3. tata - junho 9, 2008

bonito…

4. tata - junho 9, 2008

concervador é tentar reter o conceito de historia no nível academico da revolução proletária. nossa sociedade é de indivíduos desde o século XIX. e todos os indivíduos querem o infinito. dentro da angustia, antes ou depois de comer… caso contrário comer uma vez só tava bom.
afinal, se não fosse pra ser bonito, era pra ser pra sempre. mas se não for pra sempre, pra que ser bonito? hauhaua

5. Lia - julho 5, 2008

não é tentativa de poesia em prosa, é.
e se não é, não existe. e dependendo, nada existe mesmo.

e sem me importar com essas respostas me diverti com o texto, e sorri com a criança no balanço, e o cabelo se confundindo com terra. gostei mesmo. e sorrir é o pressuposto disso aqui.

até mais =]


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